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Arquivo Pessoa

OBRA ÉDITA · FACSIMILE · INFO
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Álvaro de Campos

O descalabro a ócio e estrelas...

O descalabro a ócio e estrelas...

Nada mais...

Farto...

Arre...

Todo o mistério do mundo entrou para a minha vida económica.

Basta!...

0 que eu queria ser, e nunca serei, estraga-me as ruas.

Mas então isto não acaba?

É destino?

Sim, é o meu destino

Distribuído pelos meus conseguimentos no lixo

E os meus propósitos à beira da estrada —

Os meus conseguimentos rasgados por crianças,

Os meus propósitos mijados por mendigos,

E toda a minha alma uma toalha suja que escorregou para o chão.

......

O horror do som do relógio à noite na sala de jantar de uma casa de província —

Toda a monotonia e a fatalidade do tempo...

O horror súbito do enterro que passa

E tira a máscara a todas as esperanças.

Ali...

Ali vai a conclusão.

Ali, fechado e selado,

Ali, debaixo do chumbo lacrado e com cal na cara

Vai o que pena como nós,

Vai o que sentiu como nós,

Vai o nós!

Ali, sob um pano cru acro e horroroso como uma abóbada de cárcere

Ali, ali, ali... E eu?

s.d.

Poesias de Álvaro de Campos. Fernando Pessoa. (Nota editorial e notas de João Gaspar Simões e Luiz de Montalvor.) Lisboa: Ática, 1944.

 - .

Lapsos corrigidos segundo Álvaro de Campos - Livro de Versos . Fernando Pessoa. (Edição crítica. Introdução, transcrição, organização e notas de Teresa Rita Lopes.) Lisboa: Estampa, 1993.